
Will Power vence São Paulo Indy 300, Vitor Meira é o Terceiro
Após forte chuva que desabou sobre o Anhembi e uma paralisação de mais de 40 minutos, o piloto australiano Will Power, da Penske, foi o mais rápido no final da corrida e ainda contou com a sorte para garantir a vitória na São Paulo Indy 300.
Em segundo lugar ficou o americano Ryan Hunter-Reay, da Andretti Autosport. O brasileiro Vitor Meira, da AJ Foyt, desbancou vários favoritos e completou o pódio, chegando em terceiro lugar.
Outro brasileiro, o piloto Rafael Matos, da equipe Luczo Dragon, ficou em quarto. Helio Castroneves, da Penske, foi o 9º colocado, seguido de Tony Kanaan, da Andretti Autosport. Bia Figueiredo, da Dreyer & Reinbold, foi a 13ª, ficando à frente das outras quatro mulheres que disputaram a corrida. A badalada Danica Patrick, da Andretti Autosport, foi a 15ª.
Os outros brasileiros Mario Romancini, da Conquest, e Mario Moraes, da KV Racing Technology, não terminaram a prova.
Moraes se envolveu em um acidente com Marco Andretti logo na curva do Samba, a primeira do circuito, em que o carro do brasileiro ficou sobre o de Andretti. Apesar do susto, ninguém se feriu.
A corrida
A São Paulo Indy 500 começou com um funilamento logo na curva do Samba. O piloto Takuma Sato se enroscou com Helio Castroneves na entrada da curva, dificultando a passagem dos carros. A confusão, com direito a uma densa fumaça preta, acabou causando o acidente em que o carro do brasileiro Mario Moraes ficou sobre o de Andretti.
O choque forçou a primeira bandeira amarela da corrida, que durou sete voltas. No retorno, o escocês Dario Franchitti, da Chip Ganassi, que era o pole position, liderava a prova, seguido de Alex Tagliani, da Fazzt Race Team. Kanaan seguia em quarto e Rafael Matos, o quinto. Por causa da confusão, o outro brasileiro favorito, Helio Castroneves caiu para a 18º colocação.
Na 24ª volta, nuvens pesadas começaram a rondar o circuito e as equipes se prepararam para a chuva, providenciando a troca para os pneus duros. Mas a força do temporal impediu que a corrida continuasse e, na 29ª volta os dirigentes da Indy decidiram pela bandeira vermelha, paralisando a prova.
Os carros foram para os boxes, mas pelo regulamento não é permitido fazer qualquer mudança ou reparo. Após 45 minutos e paralisação, os pilotos voltaram para a pista parcialmente seca. Mas como não havia tempo suficiente para o término da prova por voltas, a SP Indy 500 seguiria até completar duas horas de duração.
Daí em diante a corrida ganhou em emoção, com constantes trocas de posições nas primeiras colocações nos últimos 40 minutos de prova. Faltando 22 minutos para acabar, o piloto brasileiro Mario Romancini bateu e abandonou.
Na frente, Ryan Briscoe, da Penske, e Hunter-Reay brigavam pela primeira colocação. Mas Briscoe bateu sozinho faltando poucos minutos para o fim. No entanto, quem acabou se beneficiando foi Will Power, que ultrapassou Hunter-Reay e ficou com a liderança até receber a bandeirada final.
Confira a classificação final da SP Indy 300:
1° - Will Power (AUS/Penske), 2h00min58s ( 61 voltas)
2° - Ryan Hunter-Reay (EUA/Andretti), a 1s8581
3° - Vitor Meira (BRA/A.J.Foyt), a 9s7094
4° - Raphael Matos (BRA/De Ferran Luczo Fragon), a 10s4235
5° - Dan Wheldon (ING/Panther), a 10s8883
6° - Scott Dixon (NZL/Chip Ganassi), a 11s3473
7° - Dario Franchitti (ESC/Chip Ganassi), a 12s0579
8° - Mike Conway (ING/Dreyer & Reinbold), a 12s1654
9° - Helio Castro Neves (BRA/Penske), a 12s7411
10° - Tony Kanaan (BRA/Andretti), a 13s4850
11° - Justin Wilson (ING/Dreyer & Reinbold), a 13s9193
12° - Ernesto Viso (VEN/KV), a 16s9039
13° - Bia Figueiredo (BRA/Dreyer & Reinbold), a 19s6451
14° - Ryan Briscoe (AUS/Penske), a 1min14s9191
15° - Danica Patrick (EUA/Andretti), a 1 volta
16° - Simona de Silvestro (SUI/HVM), a 3 voltas
17° - Mário Romancini (BRA/Conquest), a 15 voltas
18° - Alez Lloyd (ING/Dale Coyne) a 31 voltas
19° - Alex Tagliani (CAN/Fazzt), a 33 voltas
20° - Hideki Mutoh (JAP/Newman-Haas-Lanigan), a 34 voltas
21° - Milka Duno (VEN/Dale Coyne), a 41 voltas
22° - Takuma Sato (JAP/KV), a 61 voltas
23° - Marco Andretti (EUA/Andretti), a 61 voltas
24° - Mario Moraes (BRA/KV), a 61 voltas
Classificação de pilotos - pontos
1° - Will Power 50
2° - Ryan Hunter 40
3° - Vitor Meira 35
4° - Raphael Matos 32
5° - Dan Wheldon 30
6° - Scott Dixon 29
7° - Dario Franchitti 28
8° - Mike Conway 24
9° - Helio Castro Neves 22
10° - Tony Kanaan 20
11° - Justin Wilson 19
12° - Ernesto Viso 18
13° - Bia Figueiredo 18
14° - Ryan Briscoe 16
15° - Danica Patrick 15
16° - Simona de Silvestro 14
17° - Mário Romancini 13
18° - Alez Lloyd 12
19° - Alex Tagliani 12
20° - Hideki Mutoh 12
21° - Milka Duno 12
22° - Takuma Sato 12
23° - Marco Andretti 12
24° - Mario Moraes 12
Comentário dos pilotos após a corrida
Bia Figueiredo: "Estou muito feliz por ter terminado a corrida. Esse foi uma final de semana maravilhoso. Deu pra sentir a grandiosidade dessa prova, com as arquibancadas lotadas e o público gritando o nome dos pilotos. Tive alguns problemas na classificação e me sinto com o objetivo cumprido, especialmente porque fiz apenas um dia de pré-temporada. No começo da corrida eu estava mais tensa, mas logo comecei a pegar as manhas do carro. No final da corrida, já estava virando com tempos competitivos. Essa corrida é um marco na minha carreira. Agora é esperar que esse desempenho ajude nas negociações e eu consiga patrocínio para as demais etapas da temporada"
Mario Romancini: "Não dá para culpar a água no meu acidente. Estava uma volta atrás, tentando tirar a diferença, quando passei por um trecho com uma poça d’água e acertei o muro. Mas aprendi muito com essa corrida e acho que posso tirar muitas coisas boas. Vou para a próxima etapa, em St. Petersburg (28 de março), com outra mentalidade. Muitas coisas não serão mais novidade. Já conheço a pista e chegarei lá com muito mais segurança"
Tony Kanaan: "De longe não foi o resultado que eu esperava, mas sempre procuro olhar por um lado positivo e acho que o meu carro estava ótimo e até fizemos a segunda melhor volta da corrida. De verdade, foi uma corrida que me diverti, apesar de antes da última bandeira amarela estava muito sozinho. Na reta da Marginal Tietê dava para pensar na vida. Mas infelizmente a gente não controla o carro dos outros e fui vítima de um acidente de corrida. Não acho que a culpa é do Dan (Wheldon) porque isso acontece em automobilismo. A minha equipe fez um excelente trabalho e acho que estamos muito melhores do que o ano passado. É uma pena você perder a chance de brigar pela vitória por coisas que você não controla, ainda mais, justamente na prova em casa. Mas estou bem feliz porque o público aqui foi incrível comigo. Eles levantavam e me aplaudiam toda a vez que passava na reta dos boxes, independente da posição que eu estava. É de arrepiar mesmo. A Band, a Prefeitura e todos os envolvidos estão de parabéns pelo grande evento que mostraram para todos".
Hélio Castro Neves: "Aconteceu de tudo nessa corrida. Todo mundo rodou na minha frente e quebrou o bico do carro. Foi aí que começou o nosso pesadelo. Estava sobrevivendo na corrida e cheguei a ficar entre os dez primeiros, mas tomei a decisão errada de continuar na pista com pneus de chuva. O layout da pista é excelente e as mudanças ficaram ótimas. Acredito que os fãs da Indy gostaram, já que teve bandeira vermelha, amarela, enfim, teve de tudo nessa corrida. Acredito que para o ano que vem, com algumas mudanças e mais tempo dá para fazer uma corrida melhor. Entre as equipes que tem condições de brigar pelo título, não desmerecendo o Vitor e o Raphael, que conquistaram bons resultado, o único que distanciou foi o Will Power. Espero um resultado melhor na próxima etapa"
Mario Moraes:
"Andar de carro é como andar
de bicleta. Depois que aprende
não esquece mais".
Raphael Matos: "briguei bastantecom o carro hoje, infelizmente
não deu pra segurar o Vitor na
ultima relargada, o carro tava
saindo muito de frente, mas to
muito orgulhoso, da equipe toda,
a equipe toda fez um trabalho
maravilhoso. o importante era
isso: terminar essa corrida numa
boa colocação, na próxima corrida
vamos estar mais pra frente e
bola pra frente."
Vitor Meira, o melhor Brasileiro na corrida: “Esse terceiro lugar
eu resumo em uma frase. A volta
do Vitor Meira mais leve. Estava
apreensivo depois de tanto tempo
parado e se recuperando. Eu
sempre tive a confiança em mim,
mas não tem como. Depois de um
acidente você se abala um pouco.
O pessoal da minha equipe
depositou toda confiança em mim.
Eles me garantiram que depois da
minha recuperação eu voltaria.
Isso me deu uma tranqüilidade
maior. Eu sempre acreditei, mas
precisava provar paras as pessoas
que eu não tinha nada. Desde que
eu sentei no carro outra vez tinha
certeza que voltaria bem e deu muito
certo. Eu só tenho o auto-controle em
cima de mim mesmo. Estou preparado
para as cobranças caso elas venham.
Se as expectativas não corresponderem,
sei que vou sempre fazer o meu melhor.
Quem fez críticas não foi apenas para
a organização da prova. Atingiu a
todos de um modo geral, como pilotos,
organizadores e a própria FIA, porque
todos nós passamos por ali e aprovamos.
Tivemos um problema e foi solucionado de
imediato. Nunca mais vai existir, as
pessoas viram a velocidade que foi tudo
resolvido. esses problemas Acontecem
os problemas em qualquer pista. No
Japão, 2008, ficamos um dia e meio
parados devido às fortes chuvas.
Espero manter o mesmo nível, mas sei que
vai ser bem difícil, já que a categoria
tem excelentes pilotos e muitas grandes
equipes. Ano passado fiquei em nono
lugar. Quero andar ainda melhor e
melhorar esse resultado. Sei que tenho
condições e capacidade para isso.
Presidente da Indy Racing League considera São Paulo Indy 300 fantástica
O presidente da IRL, Terry Angstadt elogiou a São Paulo Indy 300 e demonstrou surpresa na rapidez com que a organização da prova consertou o problema na reta do sambódromo. "Nunca tinha visto um imprevisto como aquele ser resolvido em menos de 24h. Foi impressionante o trabalho. A pista está fantástica." Como a etapa paulista está confirmada para mais quatro anos, o presidente da IRL tem a certeza que ainda haverá mais patrocinadores. "Não que este ano tenha sido ruim. Mas foram apenas quatro meses para buscar anunciantes. Agora, com o sucesso desta etapa, teremos muito mais parceiros nos anos seguintes."
Repercussão da são paulo indy 300: jornalistas do exterior comentam circuito da indy em são paulo.
Após a realização da São Paulo
Indy 300, a corrida repercutiu muito bem na imprensa mundial. Para
Bruce Martin, da Sports Illustrated e da televisão
norte-americana Versus.com,
a prova em São Paulo não fugiu do que geralmente ocorre em disputas de
Indy. De acordo com ele, chuva e problemas na pista são comuns:
“Basicamente,
é normal, principalmente em circuitos de rua”, disse Martin que, por
outro lado, destacou um fato que chamou a atenção: a alteração da
programação do treino classificatório. Quando questionado se ele
recordava de outro evento em que o mesmo aconteceu, o jornalista
norte-americano fez cara de quem puxava algo do fundo da memória:
“Talvez
em Nashville”, arriscou, complementando que foi uma decisão acertada
por parte da organização: “Mudança de data do quali é rara, mas
foi a decisão correta”, avaliou. Ao lado de Martin, na sala de
imprensa, estava o jornalista Curtin Calvin, que trabalha para o jornal
Indiapanopolis Star Newspaper. Ele elogiou a prova e, sobretudo,
os pontos
de ultrapassagem: “Tirando o pó e a chuva que não ajudaram,
existem dois pontos muito bons de ultrapassagem no circuito, nas duas
retas – a da Marginal do Tietê e da Olavo Fontoura. E apesar de tudo, os
fãs e a torcida apoiaram”, observou o jornalista, que ainda falou sobre
a necessidade de preparar melhor o asfalto, mas ao mesmo tempo se
mostrou surpreso com a rapidez com que o concreto foi melhorado entre o
sábado e o domingo – máquinas entraram em ação para fazer ranhuras na
pista com o objetivo de melhorar a aderência na parte do Sambódromo.
Sobre
o resultado da corrida, que teve como vencedor o australiano Will
Power, seguido do norte-americano Ryan Hunter-Reay e do brasileiro Vitor
Meira, tanto Martin quanto Curtin ressaltaram o poder de recuperação
dos dois pilotos, que retornam às competições após sofrerem acidentes.
“O
Vitor Meira quebrou as costas e fico feliz quando vejo histórias de
pessoas que se recuperam e voltam”, disse Cavin. “Ele (Meira) tem
uma grande história, pois sofreu um acidente sério”, observou Martin,
fazendo referência à forte batida do brasileiro em Indianápolis, em maio
do ano passado. Em relação ao campeão Will Power, ambos fizeram
coro ao enfatizar que o australiano é um piloto muito rápido e uma
promessa da nova geração. Já o fotografo japonês Naoki Shigenobu,
da revista Xa Car, reclamou da quantidade de chuva que caiu na tarde
deste domingo em São Paulo. Rindo, ele sugeriu que a prova mudasse para a
primavera. Sobre o Brasil e o que gostou no país,
Shigenobu não pensou duas vezes: "A comida é muito boa para os
japoneses. Nos
Estados Unidos não é bom", contou o fotógrafo, que vive no Japão.





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