segunda-feira, 15 de março de 2010

Automobilismo









Alonso vence no Bahrein, em sua estréia na Ferrari
A F-1 voltou ao "normal" na etapa de abertura do Mundial de 2010. Fernando Alonso ficou com a vitória no circuito de Sakhir e liderou a dobradinha da Ferrari, com Felipe Massa na segunda posição. Em sua estreia pela equipe italiana, o espanhol contou com competência e sorte para voltar a vencer na categoria após mais de um ano: Sebastian Vettel, que liderava a prova desde o início, perdeu rendimento em função de problemas mecânicos em sua Red Bull na metade final da corrida, e foi superado pelos carros vermelhos. Voltas depois, foi a vez de Lewis Hamilton, da McLaren, superar o jovem alemão e assumir a terceira posição, completando um pódio formado pelas duas equipes mais tradicionais da categoria e dividido entre dois campeões mundiais e um vice-campeão. Um pódio à altura da força do atual grid da F-1.
Dupla da Mercedes e Alonso evoluem na largada
Na largada, Vettel manteve a primeira posição, seguido por Massa e Alonso. No entanto, na saída da primeira curva, o espanhol conseguiu emparelhar com o brasileiro e pulou para a segunda posição.A dupla da Mercedes também evoluiu: Nico Rosberg superou Lewis Hamilton e assumiu o quarto lugar, enquanto Michael Schumacher ascendeu ao sexto posto.  Os dez primeiros colocados ao término da primeira volta traziam, além de Vettel, Alonso, Massa, Rosberg, Hamilton e Schumacher, Jenson Button, Mark Webber, Vitantonio Liuzzi e Rubens Barrichello.
Início morno no deserto
Os tempos de volta dos líderes da prova, no início, estavam na casa de 2min02. Uma diferença de cerca de 7s para o tempo da pole position _diferença razoável em função do tanque de combustível cheio em contraste com os tanques vazios utilizados no treino de classificação.  As primeiras voltas foram mornas, tendo como momento mais emocionante um duelo entre Heikki Kovalainen, da Lotus, e Nico Hulkenberg, da Williams, cuja estreia foi repleta de erros e com desempenho bastante apagado.  Pouco depois, Barrichello e Buemi também travaram boa disputa, em luta pela décima posição, com o brasileiro levando a melhor.
Vettel, Alonso e Massa: o trio de líderes
Vettel seguia na ponta com certa tranquilidade, sem abrir larga vantagem para a dupla da Ferrari mas, também, sem ser diretamente ameaçado.  A oscilação de desempenho e de performance entre os três primeiros colocados não permitia nenhuma definição antecipada a respeito da vitória, já que a cada giro eles trocavam voltas mais rápidas entre si. Constantemente, Alonso encostava em Vettel e, voltas depois, perdia rendimento, ao mesmo tempo em que Massa encostava nos dois primeiros colocados.
Problema de Vettel define vitória
No entanto, a definição da prova veio através de Vettel: a Red Bull do alemão passou a enfrentar problemas mecânicos, o que fez com que o vice-campeão mundial de 2009 começasse a virar tempos muito altos.
Rapidamente, o espanhol da Ferrari se aproximou e precisou de apenas uma volta completa para escolher o melhor lugar para ultrapassar Vettel e assumir, definitivamente, a liderança. Massa também superou o jovem alemão logo em seguida. A partir daí, a diferença nos tempos de volta entre a dupla da Ferrari, que oscilava na casa dos décimos de segundo e chegou a ser de apenas 0s003, subiu repentinamente para mais de 2s, com o brasileiro perdendo desempenho de forma flagrante.  Neste momento, a prova praticamente se definiu. A distância entre ambos, que chegou a ser de 1s1, subiu para mais de 9s. Alonso ficou com sua 22ª vitória na categoria e vibrou muito tanto ao cruzar a linha de chegada quanto no pódio, como um jovem piloto ao conquistar seu primeiro triunfo. Massa, em seu retorno à categoria, ficou com um excelente 2º lugar e completou a dobradinha vermelha, com Hamilton, que também superou Vettel, fechando o pódio. O alemão da Red Bull ainda conseguiu resistir à pressão de Rosberg e assegurou, heroicamente, a quarta posição.
Brasileiros discretos
Entre os demais brasileiros, Lucas di Grassi completou apenas três voltas em sua estreia, abandonando em seguida por problemas no motor de sua Virgin.  Já Bruno Senna, da Hispania, teve melhor "sorte": apesar de ter largado dos boxes e permanecer firme na última posição, completou 17 voltas sem cometer erros, até deixar a prova, também com problemas de motor. As duas escuderias utilizam propulsores da Cosworth.
Rubens Barrichello, em atuação correta e sem erros, cruzou a linha de chegada em décimo e marcou um ponto.
Schumacher e a Lotus: destaques da prova
Em sua reestreia na F-1, Michael Schumacher chegou em sexto lugar, a apenas 0s4 de seu companheiro de equipe e à frente do apático Jenson Button, atual campeão do mundo, que ficou com a sétima posição.
A equipe Lotus, por sua vez, foi a única das estreantes a ter desempenho digno, comprovando a confiabilidade apresentada nos testes de Inverno e completando a prova com seus dois pilotos, Heikki Kovalainen e Jarno Trulli. O finlandês ainda chegou à frente da Toro Rosso de Sébastien Buemi e a apenas uma volta do vencedor. Já o italiano foi o último colocado.
 

GP do Bahrein - Final:

1º. Fernando Alonso (ESP/Ferrari), 49 voltas em 1h39min20s396
2º. Felipe Massa (BRA/Ferrari), a 16s099
3º. Lewis Hamilton (ING/McLaren), a 23s182
4º. Sebastian Vettel (ALE/Red Bull), a 38s713
5º. Nico Rosberg (ALE/Mercedes), a 40s263
6º. Michael Schumacher (ALE/Mercedes), a 44s180
7º. Jenson Button (ING/McLaren), a 45s260
8º. Mark Webber (AUS/Red Bull), a 46s308
9º. Vitantonio Liuzzi (ITA/Force India), a 53s089
10º. Rubens Barrichello (BRA/Williams), a 1min02s400
11º. Robert Kubica (POL/Renault), a 1min09s093
12º. Adrian Sutil (ALE/Force India), a 1min22s958
13º. Jaime Alguersuari (ESP/Toro Rosso), a 1min32s656
14º. Nico Hulkenberg (ALE/Williams), a 1 volta
15º. Heikki Kovalainen (FIN/Lotus), a 1 volta
16º. Sébastien Buemi (SUI/Toro Rosso), a 3 voltas
17º. Jarno Trulli (ITA/Lotus), a 3 voltas

Não completaram:

Pedro de la Rosa (ESP/Sauber), 30 voltas
Bruno Senna (BRA/Hispania), 18 voltas
Timo Glock (ALE/Virgin), 17 voltas
Vitaly Petrov (RUS/Renault), 14 voltas
Kamui Kobayashi (JAP/Sauber), 12 voltas
Lucas di Grassi (BRA/Virgin), 3 voltas
Karun Chandhok (IND/Hispania), 2 voltas

Classificação de pilotos (os 10)
1º Fernando Alonso 25
2º Felipe Massa  18
3º Lewis Hamilton 15
4º Sebastian Vettel 12
5º Nico Rosberg   10
6º Michael Schumacher  8
7º Jenson Button    6
8º Mark Webber    4
9º Vitantonio Liuzzi  2
10º Rubens Barrichelo 1
Construtores
1º Ferrari 43
2º Mclaren 21
3º Mercedes 18
4º Red Bull 16
5º Force India 2
6º Williams 1

Depoimento dos Brasileiros Após a corrida
 Lucas di Grassi, estreante: "foco agora, é na confiabilidade"
A estreia de Lucas di Grassi na F-1 não foi a que o próprio piloto planejava. Após ter completado apenas cerca de 30 voltas ao longo de todo o fim de semana, o piloto da Virgin abandonou logo na terceira volta do GP do Bahrein, com problemas hidráulicos. O brasileiro revelou que os problemas de confiabilidade da equipe britânica estão se dando em função de peças padronizadas, não peças construídas pela própria escuderia. Decepcionado mas otimista, Di Grassi também comentou a sensação de finalmente ter estreado na categoria máxima do automobilismo.
Confira os principais trechos da entrevista:
Foco na confiabilidade
"Sem dúvida, nosso foco no momento é consertar esse problema de durabilidade, confiabilidade. Vale a pena dizer que não é o mesmo problema que a gente teve nos testes de Inverno, são outras coisas que vêm acontecendo. Os problemas que a gente teve no Inverno foram consertados. O que eu posso falar da corrida é que tive uma boa largada, consegui evitar a confusão da primeira curva, ganhei umas quatro posições, estava em 18º quando tive o problema, estive bem perto do Timo [Glock] nas duas primeiras voltas, e acho que meu carro estava bom o suficiente para chegar em uma colocação respeitável se não fosse esse problema hidráulico. É uma pena, porque deixo também de guiar, preciso de mais quilômetros com o carro. Dei, no total, 30 voltas, nos três dias. Preciso dar mais voltas, preciso me sentir mais confortável com o carro. [...] Sem dúvida, a gente vai ter que focar agora 100% dos esforços na confiabilidade."
Falta de testes
"O que tem quebrado no carro são peças praticamente padrão, independente do projeto que a gente fez. Não acho que seja isso [um problema do projeto do carro]. Mas talvez se o carro tivesse tido mais tempo para passar por outros testes, ou por ter feito mais pré-temporada, resolveria mais esse tipo de problema."
Um "ex-virgem" na Virgin
"Não sou mais um virgem, não é? [risos] Não foi um alívio. Acho que poderia ter feito uma corrida respeitável com o carro que a gente acertou para a corrida. Era um carro que estava, dentro dos nossos padrões, muito bom. Consegui acompanhar o Timo, abrir 1s5 para o [Jarno] Trulli em uma volta, sem maiores problemas. O carro estava bem estável. Em termos de performance, a gente fez as escolhas corretas. Se você pensar por uma visão mais ampla, sim, é a minha primeira corrida de F-1, na próxima já vou ter passado pela experiência de ter ido para o grid, ter feito a largada... Mas para mim foi bem natural do jeito que ocorreu. Estou preocupado agora em cada vez mais estar mais para a frente, melhorar e tentar terminar a próxima corrida."


Bruno Senna: "abandonei por uma peça de 5 centavos
Após realizar sua primeira largada na F-1 e abandonar o GP do Bahrein na 18ª volta, Bruno Senna mostrou-se otimista com o desenvolvimento que o carro da Hispania apresentou no curto tempo que esteve na pista ao longo do fim de semana.Otimista, o brasileiro revelou que o problema que causou a quebra de seu motor foi provocado pela peça "mais barata do carro": uma braçadeira de metal que prendia a mangueira de água do motor, e que se soltou, jogando água no propulsor e danificando-o.  Confira os principais trechos da entrevista de Senna aos repórteres brasileiros:
A primeira experiência na F-1
"Foi interessante. Óbvio que a gente não tinha muita performance. De novo, mexemos bastante no carro de ontem para hoje e o carro ficou com um balanço um pouco melhor, mas ainda não bom o suficiente. Tem muita performance para tirar do carro, tem muita coisa que a gente precisa ainda entender do carro, para a gente poder tirar essa performance nas próximas corridas."
Expectativa para Melbourne
"Obviamente, a qualidade das informações não é das melhores, porque a telemetria não está completa, mas os engenheiros de telemetria sabem usar os dados que a gente tem para tirar conclusões mais precisas sobre o que está acontecendo no carro. Acho que para a próxima corrida, a gente vai ter um pouco mais de preparo para poder mexer no carro com mais propriedade e saber qual vai ser o resultado." 
"Abandonei por uma peça de cinco centavos"
"Este primeiro passo poderia ter sido um pouco mais completo, porque o que falhou no carro foi a peça mais barata do carro, uma braçadeira de metal que segurava a mangueira de água do motor, isso quebrou com uma vibração e saiu. Foi uma coisa de cinco centavos que não deveria ter falhado. Por experiência, a gente saberia. Enfim, nenhum outro problema deste tipo, o que é animador para a gente. Claro que tem muita coisa para ser modificada daqui para a frente, todas as instalações do carro precisam ser melhoradas. [...] Durante as voltas que fiz, meu tempo foi um pouco menos longe dos tempos mais competitivos, isso porque o balanço do carro ainda estava errado." 
Diferença para Lotus e Virgin
"Nas duas ou três primeiras voltas, eles estavam se distanciando, mas não como na classificação, quando eles desapareciam em uma volta e meia. A gente está aos pouquinhos chegando lá, mas com certeza, com mais informação, poderemos ganhar muito tempo e muita performance."


Rubens Barrichelo: "nem me pergunto se chegaremos ao topo"
Após realizar seu primeiro GP como piloto da Williams, Rubens Barrichello conversou com os jornalistas brasileiros presentes no circuito de Sakhir, no Bahrein. Realista, o brasileiro, que chegou na décima posição e marcou o primeiro ponto seu e de sua equipe no campeonato, disse que ainda está em processo de adaptação ao carro da escuderia britânica. Embora mantenha seu otimismo habitual, Rubens deu a entender que a equipe dificlmente conseguirá lutar por vitórias neste ano. "Se a gente pode chegar ao topo, esta é uma pergunta que eu nem estou me fazendo, embora a ambição seja essa", disse. 
Confira os principais trechos da entrevista:
A estreia pela Williams
"A corrida, obviamente, foi como se você tivesse estudado bastante para o vestibular, mas quando chega o provão, você sempre tem situações diferentes. O volante... São situações diferentes daquelas que eu estava acostumado na Brawn. Na largada, consegui apertar tudo o que eu tinha que apertar de botão, mas relatei um problema na volta de apresentação: meus freios estavam bloqueando muito atrás, estavam aquecendo só atrás. [...] O rendimento do carro está médio, chegamos 15s atrás do quarto e do quinto colocados, o que não é terrível, mas está longe de ser perfeito, porque nos falta tração e temos um problema eletrônico. A mudança de marcha é um pouco lenta. Acho que não estamos todo o rendimento do nosso carro."
A adaptação à equipe
"Me sinto em casa. Acho que ao mesmo tempo em que eu estou apreciando muito tudo aquilo que eles estão fazendo, eles também estão apreciando o meu modo de trabalho. [...] Na minha primeira reunião [com a equipe], eu falei: 'sou muito sincero. Se eu falar que o carro está ruim, não pegue como uma coisa pessoal', mas o carro está ruim, então a gente tem que falar. Desde então, temos tido um bom relacionamento. Este problema de tração, tenho certeza que pode ser curado. [...] Acho que a gente pode marcar pontos nestas primeiras cinco provas, de um a cinco pontos em cada prova. Acima disso, a gente vai ter que ter um pouco de sorte, classificar melhor do que a gente pode."
O desenvolvimento do carro
"A Williams não errou no carro. Não é um carro ruim, é um carro com defeito em algumas áreas que podem ser corrigidas. [...] Não é hora de dar desculpa, não. A verdade é essa. O carro não está bem competitivo, as quatro equipes [Ferrari, Red Bull, McLaren e Mercedes] estão na nossa frente, a gente teve ainda uma Force India por ali, uma Renault por ali, e eu tenho que me colocar nessa situação para poder largar em sétimo, oitavo, e marcar os pontos de quinto a décimo lugar, neste começo."

Felipe Massa: "resultado foi o melhor possivel"
Felipe Massa retornou à F-1 em grande estilo: após conquistar a segunda posição no treino de classificação, o brasileiro _que perdeu a metade final da temporada de 2009 em função de seu grave acidente no treino de classificação para o GP da Hungria_ completou a dobradinha da Ferrari no Bahrein, em prova vencida por Fernando Alonso. O piloto da Ferrari, no entanto, revelou que teve que abrir mão da luta pela vitória em função de problemas no consumo de combustível e deixou claro: "Este é um problema do carro".  Feliz pelo retorno e satisfeito com o resultado _a "melhor posição possível"_, Massa também comemorou sua melhor colocação final em uma etapa de abertura do campeonato. 
Confira os principais trechos da entrevista:
A sensação após a prova
"A sensação é a de que dava para ter vencido se não fosse a largada, e se não fosse o problema que eu tive. Porque mesmo se eu tivesse largado, continuado em segundo e depois ganho a posição do Vettel, que teve problemas, eu teria que tirar o pé no final. Tirei o pé durante 25 voltas, mas tirei muito, para consumir menos combustível, porque eu estava com problemas de temperatura e estava consumindo muito combustível, não sei por que, é um problema do carro, lógico... Mesmo se eu tivesse feito a largada perfeita, eu teria que tirar o pé no final e perder a primeira colocação. Então, é melhor ao invés de perder a primeira colocação, chegar em segundo em uma corrida difícil. Acho que cheguei na melhor posição possível com os problemas que eu tive."
O retorno à F-1
"Voltar é sensacional. Voltar bem, em um carro bom, 100% pronto para lutar, eu acho que é sensacional... Tendo um ritmo forte a corrida inteira... Isso é muito legal, ver minha família ali embaixo, lembrar da Rafa, lá em casa, do Felipinho, que não sabia nem o que estava acontecendo, mas estava ali torcendo [risos]... É um momento muito especial. E, lógico, é a melhor posição que eu tive na minha carreira em uma primeira corrida. É sempre positivo, a gente sabe o quanto é importante durante um campeonato inteiro, então é um ótimo começo."
Comparação entre Vettel e a Ferrari
"A primeira parte da corrida era onde a gente tinha os pneus moles, e ele era um pouquinho melhor do que a gente. Depois, na segunda parte, a gente era um pouquinho melhor do que ele, principalmente eu, que saí muito bem dos boxes e tinha um ritmo perfeito, mas depois de umas duas ou três voltas, já tive a informação de que eu teria que começar a tirar o pé. Mas a Red Bull tem um excelente carro, a gente teve sorte pelo que aconteceu, e eles venceriam a corrida hoje, sem dúvida."
A largada
"Larguei muito mal, e o Alonso conseguiu pôr o carro do meu lado. Acabei freando, entrando na curva por dentro, mas ele teve uma trajetória melhor, por fora, e a outra curva era para o lado dele, tive que tirar o pé."



















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