Carlos Antônio Franchello, o eterno presidente do Londrina.
morreu aos 89 anos, o maior presidente do Londrina Esporte Clube.
O ex - presidente do LEC, Carlos Antônio Franchello, morreu nesta segunda (14) aos 89 anos de idade, devido a complicações de saúde. O dirigente alviceleste foi velado na câmara municipal de vereadores de londrina, encoberto pela bandeira da cidade e do clube que tanto amou. Franchello foi o presidente do clube por 15 anos, 1958 a 1969, 1972 a 1973 e 1978 a 1979. Participou do primeiro titulo estadual de 1962 de 20 de maio a 21 de abril de 1963, da primeira competição nacional, a Taça Brasil 1963, a época da mudança de nome em 1972 a 1973 e por fim a grande campanha no Brasileiro 1977 e 1978, encerrando sua gestão em 1979. Franchello foi o "pivô" da construção da sede campestre. Mesmo assim nos últimos anos, apesar de debilitado, o ex-presidente, ou melhor eterno presidente fazia questão de ir ao estádio do café, ver o time jogar e ainda pode viver mais alguns momentos recentes: como a conquista do titulo Paranaense de 2014, na decisão do clássico do café e as subidas do time para Série C, e agora o retorno a Série B. Carlos Antônio Franchello Neto (neto de Franchello) revela que entre a maior alegria dele, antes de falecer, foi ver o Londrina subir a Série B do Brasileiro, o eterno presidente estava no jogo contra o Confiança. Na politica, foi vereador de 1955 a 1959 e vice prefeito na gestão de Antônio Belinati de 1989 a 1992. Em 2009 foi homenageado e recebeu o titulo de cidadão honorário.
Um Pouco história.
Sede Campestre nasceu na Catedral
A diretoria do Londrina Futebol Clube tinha um grande sonho: conseguir uma área de terras para construir um parque social. O movimento começou em 1959 e tudo foi garantido no ano seguinte (1960), durante a celebração do aniversário da cidade. Enquanto o saudoso Dom Geraldo Fernandes celebrava a missa, Franchello deu um "jeitinho" de ficar ao lado do governador Moisés Lupion, convidado especial para a solenidade, e a conversa foi curta e grossa. Falando baixinho para não atrapalhar o ato religioso, Franchello conseguiu comover o governador, que deu o "sim" para a doação. Como o governo não podia doar um terreno a um clube que só praticava o futebol, Franchello logo se encarregou de transformar o Londrina Futebol Clube em Londrina Futebol e Regatas. A burocracia foi tanta que, mesmo com sim de Lupion, o Londrina só foi dono da área doada um ano depois, em ato assinado (documento assinado em punho, como se dizia na época) pelo novo governador Ney Braga.
Campeão Paranaense de 1962
O Primeiro titulo Paranaense de 1962 veio em 1963.Tendo assumido o clube a pouco mais de 4 anos, Franchello já via que o eterno "Caçula Gigante", logo nos primeiros anos, não nasceu para ser mais um pequeno, mas sim para bater de frente com o "Trio de Ferro" da Capital (Coritiba, Atlético Paranaense e Ferroviário) e deu provas disso em 1957, "o ano das goleadas" e em 1959 quando o clube (Londrina Futebol e Regatas) chegou a decisão Estadual no confronto "Norte - Sul", ficando com o vice campeonato, portanto nasceu para ser grande, e daí a razão pelo apelido. E foi então que resolveu montar um time para ser campeão estadual, contratando jogadores e um timão. O Inicio, não poderia ser melhor: 4 a 2 em cima do Grêmio Maringá, em maringá. O fim, mais saboroso ainda: 4 a 2 no Coritiba, na Capital, o titulo.
Mas para chegar lá, o time disputou o Campeonato Norte Paranaense.
O clube foi campeão (Tri) da Série Norte Paranaense (o novo), numa campanha de 22 jogos, 14 vitórias, 6 empates e 2 derrotas (para Mandaguari e Cambé).
O titulo foi decidido antes no Norte, pois Londrina e Apucarana estavam rigorosamente empatados e antes então, houve uma melhor de 4 pontos.
Os jogos
23/02 Apucarana 1x1 Londrina (Em Apucarana).
03/03 Londrina 1x2 Apucarana (Em Londrina).
10/03 Londrina 3x2 Apucarana (Curitiba).
13/03 Apucarana 1x2 Londrina (Curitiba).
Campeão da Série Norte, o "Caçula Gigante" foi a um triangular que tinha ainda a Cambaraense, campeã do Norte Pioneiro (conhecido como Norte Velho ou Setentrião) e o Coritiba (Campeão do Sul).
Os Resultados foram:
07/04 Cambaraense 3x3 Londrina. 10/04 Londrina 4x2 Coritiba. 15/04 Cambaraense 3x3 Coritiba.
17/04 Coritiba 4x0 Cambaraense. 21/04 Coritiba 2x4 Londrina. 24/04 Londrina 4x1 Cambaraense.
Foi uma maratona 30 jogos, 19 vitórias, 8 empates e 3 derrotas. 64 gols feitos e 35 contra, saldo +29. Gauchinho (18), Chinezinho (14) e Paulo Véchio (8) foram os artilheiros do time.
O Jogo da Decisão
21/04/1963 Coritiba 2x4 Londrina
Londrina: Zuza; Juvenal, Gabiroba e Lelo; Luis Santos e Berto; Chinezinho, Paulo Véchio, Gauchinho e Adamastor. Técnico Floreal Garro.
Coritiba: Bira; Valdir, Nico e Guimarães; Bequinha e Antoninho; Miltinho, Chico, Duílio, Juquinha e Calita.
Local: Estádio Belfort Duarte (hoje Couto Pereira), em Curitiba, a Capital.
Arrecadação: Cr$ 1.196.600,00.
Juiz: Anacleto Pietrobom (São Paulo).
Auxiliares: Kalil Karan Filho e Edson Pinheiro Campos.
Gols: Chinezinho aos 8 do 1° Tempo (Londrina), Chico aos 31 do 1° Tempo (Coritiba), Gauchinho aos 40 do 1° Tempo (Londrina), Paulo Véchio aos 43 do 1° Tempo (Londrina), Duílio aos 8 do 2° Tempo (Coritiba) e Juvenal aos 40 do 2° Tempo.
Outros jogadores que também jogaram no campeonato: Adelmar, Eduardo, Rubens Cortez, Pinheiro, Jairzinho, Jair, Dalton, Cláudio e Eni.
A diretoria/Comissão Técnica Campeã era assim formada
Carlos Antônio Franchello (Presidente). Sílvio Bussadori e Olavo Santiago (Vices). Rui Barbosa de Castro (Secretario). Pedro Assunção (Tesoureiro). Algacir Penteado "Chulipa" (Diretor de futebol). Joel Meneghin (Diretor social). Dalton Paranaguá e Lorenzo Izquiredo (Médicos). Floreal Garro (Técnico). Sílvio Silva "Trovão" (Massagista). Ordalino Seixas "Bernardo" (Mordomo).
O grande feito no Brasileiro de 77.
Franchello acompanhou o clube no campeonato brasileiro. Após uma fracassada jornada na primeira fase, onde o time ficou a beira da desclassificação na repescagem, o "Tubarão" se acertou e foi para viver os grandes momentos de toda a sua história.
O Pacto de Goiânia
O Londrina disputava com o Goiás (líder do grupo), e tinha de vencer os dois jogos, em Goiânia, no serra dourada contra o Vila Nova e próprio Goiás, para cumprir a dura missão. Os dirigentes estavam descontentes a ponto de ninguém deles acompanhar a delegação. Sebastião Aguiar, o diretor de futebol disse que não ia com o time porque não acreditava na classificação. Foi aí que o grupo se reuniu sob o comando do zagueiro Edson Madureira e o pacto foi firmado. O Londrina começou ganhando do Vila Nova por 1x0, na sequencia derrubou o Goiás por 2x1, calando os Goianos.
O Tubarão que o Brasil conheceu
Na fase mais importante, o Londrina mostrou que era bem diferente passando por todos os adversários: LEC 2x0 Caxias, LEC 1x0 Flamengo, LEC 1x0 Corinthians Paulista (onde houve o maior publico pagante 54.178), LEC 2x1 Santos e LEC 1x0 Vasco na "Batalha de São Januário". Na Semifinal estavam Londrina vs Atlético Mineiro e Operário (Campo Grande) vs São Paulo. O time do morumbi passou pelo time do Mato Grosso (ainda não havia ido ao mato grosso do sul) e Tubarão teve a dura missão de enfrentar o Galo.No Campo, no mineirão, o Londrina perdeu de 4x2, Reinaldo encarregou de derrubar o Tubarão, fazendo 3 gols. Mas não decepcionou, foi gigante na derrota. No estádio do café quase deu, o time empatou por 2x2, mas a atuação de Brandão, Garcia e cia. deixou a torcida satisfeita.
O Presidente esperto que driblava as armações da Federação de José Milani.
Nos velhos tempos, na época do Campeonato Paranaense Série Norte, sempre havia problemas entre muitos times em virtudes das pilantragens das arbitragens. As "negociações e os acertos" começavam na sub sede da federação paranaense na hora da escala. Quem dava mais "verdinho aos apitadores", certamente ficava mais perto da vitória ou o resultado interessado que lhe fosse benéfico. Além de toda a violência e o quebra pau nas jornadas da Série Norte. É claro que sempre tinha gente boa e honesta no apito, mas não podia brincar com a maioria. Em 1963, uma vez num jogo importante em Cambé, Franchello trouxe Manoel Albacete Vargas, conhecido por "Manolo", e o deixou escondido na sede campestre. Manolo morava em Jacarezinho, foi buscado pelo presidente alviceleste que lhe deu do bom e do melhor, na comida e na bebida, evitando que pudesse ser assediado por dirigentes do rival Grêmio Maringá, interessados numa vitória do Cambé. O Londrina venceu por 2x1, o Cambé marcou aos 44 minutos do segundo tempo, de pênalti. Franchello se preocupou, mas o apitador encerrou logo em seguida. Em 1964, saiu a escala de árbitros para um dos primeiros clássicos (ou derbys) da cidade. Vão jogar Londrina e São Paulo, no Vitorino Gonçalves Dias. Franchello decide dar um "presentinho" que morava em Ponta Grossa. Pega quatro pneus novos da loja de Olavo Santiago e vai embora. Quando em chega em frente a casa do apitador, percebe que ali há um carro estacionado com placas de Londrina. Era o carro de Nicola Pagan, presidente do São Paulo, que chegou primeiro.
Os famosos negócios de Franchello.
Em 1963, Franchello ficou sabendo que Leocádio (um dos melhores jogadores do futebol paranaense na época) estava querendo sair do Operário de Ponta Grossa e tinha passe estipulado na Federação. O Presidente chamou seu amigo Osvaldo Bonezi (dono de um táxi) e foram até Ponta Grossa, onde o jogador estava concentrado no segundo andar de um hotel. Como já estava combinado, levaram uma escada de corda por onde o jogador desceu. Foram até Mafra SC, onde os pais do jogador assinaram a autorização (Leocádio era menor de idade) e voltaram de madrugada a concentração. Com os papéis em mãos, o Londrina pagou NCr$ 250 Mil cruzeiros na Federação e ficou com o jogador. A sua esperteza fez história no Londrina. Em 1968, ele trouxe seis (6) jogadores da Prudentina, de Presidente Prudente, apresentando a missão, o saudoso Murilo Zamboni, "Rico Fazendeiro" como avalista. Zamboni era o supervisor do time. Calçando botas de canos altos, com Chapelão na cabeça, e fumando grossos cigarros de palha, não foi dificil convencer os Prudentinos de que o querido Zamba era um homem cheio da grana e capaz de cumprir com os pagamentos assumidos pelo clube. Os jogadores eram: Lidu, Dobreu, Capitão, Reginaldo, Tomás e Dirceu. Em 1969, num jogo do Corinthians Paulista, Franchello esparramou panfletos anunciando "Capitão e Rivelino é o melhor meio campo do brasil". Alguns dias depois, Capitão era vendido ao time paulista para jogar ao lado de Rivelino. Há quem diga que Franchello conseguiu diminuir a idade do jogador uns três anos, para a venda sair. Em tempo:o Londrina vendeu Capitão, Lidu e Luis Carlos ao Corinthians por NCr$ 180 mil cruzeiros, uma bela soma na época.
A Caneta do Franchello.
Dizem que Franchello tinha uma caneta especial para assinar os cheques e as promissórias na hora de pagar as contas do clube. Ele assinava e dentro de uns trinta dias a tinta sumia e o documento perdia o valor. "Isso é Lenda", diz Franchello. "Se fosse verdade, eu estaria milionário". Franchello sempre destacou que o clube sempre pagou suas dividas. Atrasava, mas pagava. Até na famosa transação com a Prudentina, quando o Zamboni foi o avalista, a conta foi paga alguns anos depois, no fórum de Presidente Prudente. O advogado Júlio Rodolpho Roherig, representando Franchello e o Londrina, foi lá e pagou.
O Relógio tinha outro dono
Velhos tempos, Londrina e Grêmio Maringá fariam um jogo decisivo. O árbitro já estava escalado, era o discutido Antônio Guilherme de muitas histórias. Franchello e Chulipa (Algacir Penteado) resolvem fazer uma visita rápida ao apitador, em Apucarana. Quando chegaram lá e foram recebidos por Guilherme, Franchello percebeu que o apitador tinha no pulso um relógio conhecido. Foi aí que o presidente se lembrou: aquele relógio ele tinha dado ao técnico Nestor Alves da Silva, que tinha saído há pouco do Londrina e passara a dirigir o Grêmio Maringá.
Londrina Futebol Clube.
Londrina Futebol e Regatas a partir de 1961.
Todas as fotos são do arquivo do meu amigo e também blogueiro Flávio Frim do http://bloglondrinense.blogspot.com.br/. Portanto fica todo o agradecimento e toda a Credibilidade a ele.
O meu agradecimento e toda a credibilidade ao J. Mateus (radialista), já que algumas histórias encontrei em seu livro Londrina Esporte Clube 40 anos. "Do Caçula Gigante ao Tubarão.









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