Cidades com o futebol só no passado (VII - final) Bandeirantes pode usar marca do União para fortalecer BEC
Detalhe da foto em um dos jogos beneficientes em dezembro de 2010: O povo de Bandeirantes está carente de futebol e pede a volta do União. estiveram nesse jogo mais de 3 Mil torcedores, segundo informações.
Desativado em 2006 por dificuldades financeiras, o União Bandeirante Futebol Clube já pagou quase toda a dívida, ''está redondo'', mas ainda ''não vai voltar'' ao futebol profissional, ''não há chance neste momento'', afirma o presidente, Francisco Sanches Filho, ao tomar conhecimento de iniciativa para se colocar um clube de Bandeirantes (31,1 mil habitantes) na 3. divisão do Campeonato Paranaense, talvez ainda este ano. E levando em conta o União, pela sua força de ''instituição'' da cidade, que ainda persiste. Sanches fez a declaração para esta reportagem, última de uma série em que, desde o início (27 de março), dirigentes afirmaram que o principal obstáculo ao retorno do futebol profissional à maioria das cidades é o alto custo, que afugenta até empresas tradicionais.
Desde que Serafim Meneghel, dirigente maior do União, saiu da administração da usina de açúcar e álcool da família, em Bandeirantes, não há disposição na empresa para voltar a patrocinar o União, após mantê-lo durante 40 anos, comenta-se na cidade. ''Coisa difícil agora é dinheiro para futebol'', reconhece Sanches, que se dá por satisfeito com a preservação do patrimônio do clube, sem a ameaça de credores. Diz que Serafim ainda acompanha tudo e ambos receberam do Vasco da Gama o dinheiro pela transferência do goleiro Fábio (hoje no Cruzeiro), que muito ajudou a pagar dívidas.
''Futebol profissional, acho que podemos esquecer'', diz um dos maiores ídolos do União, Tião Abatiá, numa comparação à grande competitividade de seu tempo. ''Podemos fazer campeonato regional para movimentar as cidades.''
Formado em administração de empresas, empresário e prefeito, Celso Silva está entre os fundadores do Bandeirantes Esporte Clube (BEC) juntamente com Nelson Santos, ex-dirigente do União. Com a informação de que Nelson fez a pré-inscrição do BEC na Federação Paranaense, Celso disse que se começa a trabalhar no sentido de uma parceria público-privada, buscando-se um agente de marketing esportivo idôneo e o envolvimento de empresas locais e da comunidade. ''Vamos chamar a sociedade para se corresponsabilizar'', resume.
Celso diz que vai agir mais como entusiasta do futebol e menos pela condição de prefeito, limitado nos gastos públicos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). ''Porém, o apoio institucional não é vedado'', observa. Assim, espera dar credibilidade ao projeto que, a seu ver, permitirá a uma cidade com menos de 100 mil habitantes ter futebol profissional.
Dupla liderou artilharia por quase uma década
Tião Abatiá: ''Pode ter havido melhor dupla, mas não em durabilidade. Comandamos a artilharia''
Ele sai de Ribeirão do Pinhal, onde mora e tem negócios, e almoça na churrascaria de José Lessa, em Santo Antônio da Platina, acompanhado pela esposa, Íris. Mas o seu destino, em dias alternados, pode ser qualquer cidade do Norte Pioneiro, onde continua a ser uma das personalidades mais notáveis e com amigos por onde passa.
É Sebastião José Ferri, o Tião Abatiá, que formou nas décadas de 60 e 70, inicialmente no União Bandeirante e depois no Coritiba, a mais lembrada dupla de atacantes do futebol paranaense até hoje. ''Joguei uns oito anos. Pode ter havido melhor dupla, mas não em durabilidade. Comandamos a artilharia do paranaense'', recorda Abatiá.
Revezaram-se de 1968 a 1977 na liderança. Se um fosse o artilheiro, inevitavelmente o outro seria o vice e assim até quando separados, jogando em times diferentes. Atualmente Paquito mora em Cambará e ambos são compadres.
Nascido em Abatiá, razão do apelido, Sebastião recorda que começou a percorrer o Norte Pioneiro quando era adolescente, indo a Jacarezinho ser interno no famoso Colégio Cristo Rei. Terminado o ginásio e não havendo o Científico, mudou-se para Cambará, com a maior satisfação por saber que ingressaria no juvenil do Clube Atlético Cambaraense (CAC). Foi a fase ''preliminar'' do futebolista, que chegaria ao União Bandeirante depois de concluir a Escola Técnica de Comércio e cursar dois anos de Educação Física em Assis.
Era fascinante pelo futebol e o folclore
Destaque da foto ao lado:
Tempos de Ouro do União Bandeirante e do Futebol Norte Paranaense e o Norte Pioneiro: Em pé: Machado, Laércio, Geraldo, Josué, Celso e Serafim.
Agachados Tião Abatiá, Carlinhos, Paquito, Charuto e Zé Luiz. Mais tarde, Tião Abatiá e Paquito conquistariam o Alto da glória (Coritiba).
Em 42 anos, desde a fundação (1964) até se declarar extinto para o futebol (2006), o União Bandeirante fez uma das histórias mais fascinantes do futebol paranaense, apesar de não ter sido campeão. ''Se tivesse a mídia que tem hoje, seríamos campeões'', presume Tião Abatiá. ''Atualmente está difícil fazer resultado; naquele tempo era fácil'', afirma convictamente em termos de arbitragens, mui especialmente a favor do Coritiba que, na impossibilidade de ganhar, saía com ''o empate arranjado'' no mínimo.
Reza o folclore que ''metiam a mão no União'' até em jogos na Vila Maria e Serafim Meneghel, o presidente, barbaça ostentando chapelão e revolver na cinta, invadiu o campo para coibir o árbitro. ''Contra o União, aqui ninguém bate pênalti'', berrou. E deu um tiro na bola. Até hoje, porém, não se tem um certificado desta versão e há quem afirme que Serafim apenas convenceu o árbitro a esquecer o pênalti e marcar tiro de meta para o União, cujo adversário era o Seleto, de Paranaguá. Vice-campeão estadual em 1966, 69, 71, 89 e 92, o União teve algumas formações que, se dizia, jogavam por ''telepatia''. E nelas despontavam no ataque Tião Abatiá e Paquito, a consagrada ''dupla caipira'', que o Coritiba levaria em 1971 e com ela seria quatro vezes campeão.
Serafim Meneghel: um dos poucos ainda vivos, de um tempo em que os dirigentes tinham AMOR ETERNO pelos clubes, não pela ganância e o dinheiro. Junto com ele ainda no meio do futebol Norte Paranaense, ainda vivem Carlos Antonio Franchello (Londrina), Elnio Pohlmann (Grêmio Maringá) e Sueo Matsubara (Matsubara), que atualmente está no Japão, intermedia negociações de jogadores que vão para o Japão, uma espécie de relações Internacionais representando o clube de Cambará.
União ainda é instituição forteCogita-se, também, aglutinar a marca do União, ainda muito viva. Bandeirantes ''tem duas instituições'' amplamente reconhecidas, segundo Celso Silva: a Faculdade de Agronomia Luiz Meneghel, com 2.500 alunos, integrada à universidade regional, e o União Bandeirante, muitas vezes citado em lugar do nome da cidade. ''Ah! Você é lá da terra do União Bandeirante?'', já ouviu o prefeito de interlocutores.
O União não é filiado à Federação Paranaense de Futebol; o pré-inscrito é o BEC, que depende da estrutura do União, o estádio na Vila Maria, oficialmente ''Comendador Meneghel''. Celso sugere um acordo para o BEC usar também o nome de fantasia do União, fortemente identificado com a cidade.
Participar ao menos da 3. divisão passou a ser uma exigência da Federação para os clubes que tenham sido criados com a finalidade precípua de formar jogadores, caso do BEC.
Agradecimentos e Créditos a folha de londrina.
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